2016

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10 setembro 2013

o ranking da felicidade

há pouco, ao ouvir esta notícia, dei comigo a pensar sobre isso de se ser feliz. haverá conceito mais abstrato? partindo do princípio que a felicidade é meramente subjetiva, como se mede, em termos reais, os seus níveis? em que se baseia? aparentemente, o dinheiro não traz felicidade, mas terá sido a crise económica a grande responsável pela queda de 12 posições, tendo colocado o nosso país ali entre as Honduras e o Ghana, abaixo ainda do Kosovo, da Nigéria e do Paquistão!

olhando para a minha vida, consigo perceber que as minhas expectativas em relação ao que esperava do futuro se foram adaptando às circunstâncias. ou seja, aos 18 tinha uma perspetiva, aos 22 as ambições mudaram, aos 27 mudaram mais um pouco e hoje sei que é isto que nos move: o que queremos em cada fase e o quanto lutamos para que as coisas boas nos aconteçam.

lembro-me de ser miúda e achar que a minha mãe, do alto dos seus 31 anos, era muito velha quando eu nasci. hoje rio-me, porque com 30 não me imagino com uma criança nos braços. adoro crianças [sou babysitter] e, se tiver condições e disponibilidade financeira e profissional, gostaria de ter três filhos. provavelmente quando tiver o primeiro, já será tarde para começar. e, embora essa seja a certeza mais vincada que tenho e que sei que não mudará - a de querer ser mãe -, sei que a minha felicidade não se resume a isso.

a minha felicidade hoje é ter as minhas pessoas por perto, com saúde. sabê-las bem, mesmo quando não podem estar junto a mim. é poder ajudar quem precisa. é ter tempo [imagine-se, ter tempo!] para fazer as coisas de que gosto, tão simples, e saber apreciá-las. é também, sobretudo perante o cenário em que vivemos, poder ser independente. ter um bom emprego [que não me traz só alegrias, mas faz parte] e ser reconhecida pelo meu trabalho. poder morar no sítio que escolhi, perto da praia, numa casa que adoro e que estou sempre a mimar. ir para onde quero, quando tenho vontade. ter os meus pequenos luxos de vez em quando, como sair para jantar, ir ao cinema, comprar um livro. nem sempre é possível, mas não me queixo. em vez disso, agradeço.

se a minha vida é aquilo que imaginei para mim nesta altura? não. é próxima do que sonhei, mas falta-lhe o mais importante. se é verdade que tenho muito daquilo que ambicionei e que lutei para conseguir, também o é que não me sinto totalmente preenchida. sobretudo porque emocionalmente a minha vida [ainda] não é estável. e acho que muito do nosso equilíbrio resulta de uma mente sã num coração cheio. não tendo o essencial, sei que não me falta quem me ampare, passe a mão na cabeça e se preocupe. porque a felicidade também é isso - ter com quem contar.

como alguém um dia tão sabiamente disse: não se pode ter tudo. mas podemos, com o que temos, reconhecer o que alcançámos e construir alguma coisa importante a partir daí. porque a felicidade são momentos. e, como já escrevi aqui, a minha vida está cheia deles. 

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