2016

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19 outubro 2013

o meu gato

acabo de estacionar e ele já está na varanda, cabecita esticada para fora, e começa a miar. à medida que atravesso a rua, estica-se mais, como que a dizer olá. assim que saio do elevador, já o consigo ouvir, naquele miar meio ronronado atrás da porta. mal a chave roda, salta para o patamar, espreguiça-se, pego nele ao colo e dá-me as boas vindas em forma de lambidelas na cara.
são assim os nossos dias, nesta rotina de que ele precisa e eu também. aprender a (con)viver com ele não foi fácil. nunca quis animais em casa, tanto por achar que seriam uma prisão quando tivesse que me ausentar, como por não saber a alegria que se sente quando nos reconhecem ou adormecem encostados a nós. nunca quis um gato, mas dois anos e meio depois sei que já não saberia viver sem o meu. 
estragou-me o sofá, duas cadeiras da sala, também deixou algumas marcas nas cortinas. e suja-me o chão de cada vez que salta da banheira ainda molhada. adora estar ao pé de mim, sobretudo quando estou a cozinhar, é o verdadeiro Gatatui. de vez em quando olha-me com ar desafiador, de quem chama para a brincadeira. nem sempre lhe dou a atenção que ele merece. 
depois vêm aqueles dias de coração apertado, em que vê-lo aflito, sem conseguir respirar por causa da maldita asma [sim, os gatos também têm asma...], me deixa com medo. acordo vezes sem conta para o ouvir respirar, para lhe dar a medicação ou simplesmente fazer-lhe festas, enquanto tenta dormir com esforço. 
é por conhecer esses dias de cor, saber-lhe a dificuldade que é apenas respirar, que esta fotografia me acalma, me sossega. é a prova de que não podia estar em melhores mãos [o que falta em conhecimento é compensado com o interesse genuíno e um carinho sem fim], quando, no momento de aperto, a minha irmã faz quilómetros só para lhe dar a injeção milagrosa que o faz melhorar. e volta a brincar, a saltar, a correr... e a dormir este sono descansado, mesmo aqui ao meu lado. 


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