2016

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01 abril 2014

do egoísmo

admito que o erro, a sê-lo, possa ser meu, que sou, admito, muito pouco tolerante. não a raças, credos, sexos ou nacionalidades, mas a comportamentos.
entendo que a amizade é um caminho com dois sentidos. e que, por muito que as circunstâncias possam mudar, os amigos são as pessoas que defendemos sempre ao invés de lhes criarmos problemas desnecessários. quis a vida que ao longo do caminho eu me afastasse de algumas pessoas pelas mais diversas razões. outras afastaram-se, porque entenderam que o caminho delas era diferente do meu. a vida é assim mesmo. mas eu, casmurra, olhando hoje para trás, acho que poderia ter feito e lutado mais por algumas pessoas do que na altura lutei. a maturidade também nos dá esta percepção, embora por vezes tarde demais. 
já fui confrontada com situações de alguma gravidade, em que me coube a mim decidir que rumo dar a uma suposta amizade. uma ou outra vez acabei por constatar que de amizade tinham muito pouco. mas o que me irrita, mais do que entristece, são as pessoas que, tendo elas próprias um problema que nos pode implicar, não lidam com ele sozinhas, não nos protegem. preferem dizer tudo o que têm vontade [por impulso, calculo], passar a batata quente para o outro, pondo assim a amizade em risco. há coisas que, quando ditas e postas às claras, magoam e desiludem.
na amizade, julgo eu, não há espaço para o egoísmo. e passar o problema para os outros não é mais do que isso, um ato profundamente egoísta e de libertação de si próprio. é por isso que sou intolerante a uma série de comportamentos com os quais não me identifico, sejam eles impulsivos ou não. e se isso é um defeito [de que tantas vezes sou acusada], creio que terei que viver com ele o resto da vida.

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