para quem gosta de animais como eu, existem poucos lugares como o Hospital Veterinário do Restelo. desde que tenho um gato, que foi viver lá para casa com pouco mais de um mês e meio, que o levava ao Restelo para vacinas, consultas, urgências. nunca esperei mais do que um quarto de hora, mesmo sem consulta marcada, e, apesar de não ter sido sempre seguido pelo mesmo veterinário, todos pareciam saber o historial clínico dele. a isto se chama organização. e eu sou uma pessoa organizada, que gosta de ser bem atendida e, acima de tudo, perceber que o gatinho é bem tratado e, apesar do stress, se sente minimamente confortável. já para não falar da atenção e da disponibilidade que têm com os donos.
posto isto, a experiência devia ter-me ensinado que "em equipa vencedora não se mexe". e eu, idiota, mexi. decidi um belo dia ir a outro lado, por ser mais perto de casa, por ser aparentemente mais barato. em dois meses levei-o a cinco consultas. gastei um balúrdio para irem despistando possibilidades. para ser mal atendido. para ficar stressado. para se tornar, num crescendo a cada consulta, num gato agressivo. para não ver resultados. para não me enviarem os raio-x's sucessivos que fez e que paguei. para nunca ter sido atendido a horas. para nunca terem uma opinião unânime. para não me transmitirem confiança.
no passado sábado tínhamos consulta de controlo marcada às 11h30. a médica que o seguia estava de folga. a médica que o ia ver só chegava ao meio dia. depois de quase 45 minutos à espera, assim que abri a caixa, o meu gato, que é o mais dócil e meigo, começou a rosnar, zangado. por esse motivo, a médica não conseguia auscultá-lo. levou-o para o raio-x (o quarto em cinco consultas), não sem antes eu lhe ter dito que talvez fosse melhor sedá-lo. achou que não. dificilmente consigo descrever de forma fiel o que se passou a seguir : primeiro porque não vi, só ouvi; depois, porque era o meu gato (ou melhor, não era, era um demónio que se apoderou dele) que ali estava e serei sempre parcial no relato. por isso, limito-me aos factos: o meu gato, repito, dócil e meigo, esteve 3 horas fechado numa sala de raio-x a guinchar como eu nunca supus que fosse possível; o meu gato, repito de novo, dócil e meigo, atirou-se contra a porta da sala em que estava, a ponto de a médica vir cá fora e fechar a porta do hospital, com medo que ele pudesse apanhar uma nesga da porta aberta e fugir hospital fora; o meu gato (já referi que é dócil e meigo?) abocanhou a médica, que usava uma luva de contenção, e deixou-a a sangrar da mão; o meu gato foi sedado 3 (três!) vezes e a adrenalina dele não baixava; o meu gato fez cocó na sala de raio-x, onde esteve fechado 3 horas, porque estava em pânico. simplesmente para fazer um raio-x de controlo.
durante esse tempo, a dona dele, eu!, esteve em pânico, sem saber o que fazer. a tremer de nervos. sem saber se tudo aquilo era razoável ou aceitável. porque normal não foi com certeza. a dona dele, eu!, teve que sair do hospital para se acalmar. e jurou a si mesma que nunca mais lá voltava. juramento que cumprirá.
ontem, depois do susto passado, com o gatinho no seu estado habitual, dócil e meigo, fui ao Restelo e pedi para falar com alguém que me pudesse sossegar. pedi que me atendessem 10 minutos, falei com o médico quase 1 hora, que se lembrava de mim e do meu gato. o meu objetivo não era que me dissessem mal de outros colegas, porque reconheço que a ética profissional não o permite; eu não o faria nem esperaria tal coisa. só queria voltar a confiar, perceber se fui eu que errei, ao permitir que tratassem (quanto a mim mal) o meu gato noutro lado. falámos durante 1 hora, quase uma consulta, mas sem o bichano. fiz o historial dele nos últimos meses, falei dos sintomas, da reação aos medicamentos, dos tratamentos que fez.
e saí de lá descansada, com a certeza de que é ao Restelo que voltaremos sempre, porque é ali que somos (ele e eu) bem tratados. é ali que os médicos discutem entre si os sintomas, que revêem diagnósticos, que colocam todas as possibilidades, mas que perante os donos demonstram coesão. e isso é indispensável para criar em nós confiança. é ali que são meigos com os animais e atenciosos com as pessoas. é ali que não nos fazem esperar mais do que o essencial e têm sempre um sorriso, mesmo ao fim de um dia de trabalho.
e é por isso que o Hospital Veterinário do Restelo será sempre e a partir de agora a minha única escolha.
posto isto, a experiência devia ter-me ensinado que "em equipa vencedora não se mexe". e eu, idiota, mexi. decidi um belo dia ir a outro lado, por ser mais perto de casa, por ser aparentemente mais barato. em dois meses levei-o a cinco consultas. gastei um balúrdio para irem despistando possibilidades. para ser mal atendido. para ficar stressado. para se tornar, num crescendo a cada consulta, num gato agressivo. para não ver resultados. para não me enviarem os raio-x's sucessivos que fez e que paguei. para nunca ter sido atendido a horas. para nunca terem uma opinião unânime. para não me transmitirem confiança.
no passado sábado tínhamos consulta de controlo marcada às 11h30. a médica que o seguia estava de folga. a médica que o ia ver só chegava ao meio dia. depois de quase 45 minutos à espera, assim que abri a caixa, o meu gato, que é o mais dócil e meigo, começou a rosnar, zangado. por esse motivo, a médica não conseguia auscultá-lo. levou-o para o raio-x (o quarto em cinco consultas), não sem antes eu lhe ter dito que talvez fosse melhor sedá-lo. achou que não. dificilmente consigo descrever de forma fiel o que se passou a seguir : primeiro porque não vi, só ouvi; depois, porque era o meu gato (ou melhor, não era, era um demónio que se apoderou dele) que ali estava e serei sempre parcial no relato. por isso, limito-me aos factos: o meu gato, repito, dócil e meigo, esteve 3 horas fechado numa sala de raio-x a guinchar como eu nunca supus que fosse possível; o meu gato, repito de novo, dócil e meigo, atirou-se contra a porta da sala em que estava, a ponto de a médica vir cá fora e fechar a porta do hospital, com medo que ele pudesse apanhar uma nesga da porta aberta e fugir hospital fora; o meu gato (já referi que é dócil e meigo?) abocanhou a médica, que usava uma luva de contenção, e deixou-a a sangrar da mão; o meu gato foi sedado 3 (três!) vezes e a adrenalina dele não baixava; o meu gato fez cocó na sala de raio-x, onde esteve fechado 3 horas, porque estava em pânico. simplesmente para fazer um raio-x de controlo.
durante esse tempo, a dona dele, eu!, esteve em pânico, sem saber o que fazer. a tremer de nervos. sem saber se tudo aquilo era razoável ou aceitável. porque normal não foi com certeza. a dona dele, eu!, teve que sair do hospital para se acalmar. e jurou a si mesma que nunca mais lá voltava. juramento que cumprirá.
ontem, depois do susto passado, com o gatinho no seu estado habitual, dócil e meigo, fui ao Restelo e pedi para falar com alguém que me pudesse sossegar. pedi que me atendessem 10 minutos, falei com o médico quase 1 hora, que se lembrava de mim e do meu gato. o meu objetivo não era que me dissessem mal de outros colegas, porque reconheço que a ética profissional não o permite; eu não o faria nem esperaria tal coisa. só queria voltar a confiar, perceber se fui eu que errei, ao permitir que tratassem (quanto a mim mal) o meu gato noutro lado. falámos durante 1 hora, quase uma consulta, mas sem o bichano. fiz o historial dele nos últimos meses, falei dos sintomas, da reação aos medicamentos, dos tratamentos que fez.
e saí de lá descansada, com a certeza de que é ao Restelo que voltaremos sempre, porque é ali que somos (ele e eu) bem tratados. é ali que os médicos discutem entre si os sintomas, que revêem diagnósticos, que colocam todas as possibilidades, mas que perante os donos demonstram coesão. e isso é indispensável para criar em nós confiança. é ali que são meigos com os animais e atenciosos com as pessoas. é ali que não nos fazem esperar mais do que o essencial e têm sempre um sorriso, mesmo ao fim de um dia de trabalho.
e é por isso que o Hospital Veterinário do Restelo será sempre e a partir de agora a minha única escolha.
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