2016

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24 setembro 2013

do Facebook

ou de como perdemos momentos por causa dele.

o FB tem sido para mim uma ferramenta de trabalho extraordinária. o meu trabalho exige promoção e que melhor meio de o fazer que não o de-boca-em-boca dos tempos modernos? o FB também me serve, claro, para abrir horizontes, procurar sugestões de livros/filmes/músicas/viagens, manter contacto com quem está longe, ter notícias sem ter que telefonar [não gosto de falar ao telefone], combinar encontros com amigos e família. às vezes basta alguém dar o mote, e o FB faz o resto. reconheço-lhe todas essas virtudes. 
porém, ao olhar para a minha cronologia, acho que cada pessoa tem um olhar diferente sobre a (f)utilidade desta rede social. há um casal, que conheço há muitos anos, cerca de 12, que aparenta [eu acho que são mesmo, mas vá, que isto nunca se sabe o que se passa em casa alheia] ser o casal perfeito. ela linda, ele apaixonadíssimo. sempre os conheci assim. casaram há quase dois anos e desde aí cada passo que dão vai em modo de fotografia para o FB: a saída de casa, a chegada ao aeroporto, a entrada no avião, a aterragem, a entrada no táxi, a saída do táxi, a receção do hotel, o elevador do hotel, a porta do quarto, o quarto em si, a vista do quarto, o wc do quarto, a ida para a praia, a toalha esticada na areia, o primeiro banho, o creme, o segundo banho, os cabelos ao sol, a saída da praia, a chegada ao restaurante, as entradas, a bebida, o brinde, o primeiro prato, mais uma sangria, o segundo prato, a sobremesa, mais um brinde, o café... and so on. mais: além de todos estes momentos registados e publicados para o mundo saber como-somos-felizes, eles respondem a cada comentário. em tempo real. 
desconfio que as férias deles são apenas isso: vamos viajar para mostrar a toda a gente que viajamos e que estivemos em tal sítio a fazer o que todas as pessoas comuns fazem todos os dias, mas num sítio diferente
quero eu dizer que o FB nos trouxe uma nova forma de estar na vida: ter o corpo ali mas sem realmente estar com a pessoa ali ao lado. às vezes acho que as redes sociais nos retiraram a possibilidade de estarmos sozinhos. sozinhos connosco ou sozinhos com quem está presencialmente à nossa volta. apenas estar e sentir. sem precisar do consentimento do resto do mundo que, com FB ou sem ele, continua a não ter rigorosamente nada a ver com a nossa vida. parece que só existimos perante a aprovação alheia e temos necessidade de dizer a toda a gente olhem como somos felizes! mas... seremos mesmo?
por mim, o FB [e outras redes similares] continuará a servir apenas para aquilo para que foi concebido. prezo muito a minha privacidade e o meu espaço e acho que os momentos, aqueles que guardamos na memória e no coração, devem ser vividos plenamente, sem mediação tecnológica ou intervenção alheia.

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