2016

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09 setembro 2013

recentrar

uma pessoa habitua-se à mensagem de fim de tarde "estou a caminho". habitua-se a percorrer a marginal, sempre com o mar à esquerda [do lado do coração], porque sabe que o melhor da vida é ter por quem esperar. habitua-se a ter o jantar pronto ou a encomendar [chinês ou indiano, qual preferimos hoje?]. habitua-se a escolher uma série e a racionar os episódios por dias, quando as noites são passadas no sofá, com a manta nas pernas e os dedos entrelaçados. habitua-se até às reclamações por causa do gato. habitua-se à cama quente e aos pés que nos procuram. habitua-se ao despertador, embora sob protesto. habitua-se ao cheiro do champô e ao sabor da pasta de dentes depois de um beijo de até logo. habitua-se a ouvir a porta bater, enviar um sms e voltar-se para o lado para dormir mais um pouco. 

uma pessoa habitua-se aos cheiros e aos sons. à presença. a saber que, mesmo quando não está, a outra pessoa está por ali, nos pormenores, nas rotinas. está pela casa, agarrada aos objetos e às paredes e para além deles. está, porque estar e ser passaram a ser os verbos do coração. estar contigo, ser um só.


[hoje ouvi esta música, com o mar ali ao lado, enquanto fazia o caminho de todos os dias...]

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