A Gaiola Dourada II

ainda sobre este filme, alguém (d)escreveu muito melhor do que eu o que queria dizer. nem mais. assino por baixo.

"Há uns anos equacionei tornar-me intelectual mas faltou-me tempo para isso. Talvez não tenha tido intelecto suficiente, mas para tudo é preciso tempo, e ler, ver filmes experimentais coreanos e aprender a absorver música erudita requer uma agenda com linhas em branco. Não quero com isto dizer que me mato a trabalhar ao ponto de não ter umas horas para ler um livro, faço-o com prazer, mas não consegui abdicar de ver jogos de futebol, passar serões a beber cerveja e a falar de banalidades com amigos e, até, ver uma ou outra daquelas séries que não me ensinam nada. E, convenhamos, é muito mais fácil ser-se intelectual quando se cresce num meio luminoso, em que a família almoça ao som de Bach e não de Roberto Carlos. Não importa, por uma razão ou por outra, abdiquei da minha pretensão de ser intelectual. E aceito que, para essa elite artística e filosófica, não passe de mais um energúmeno. E como energúmeno, concluo".

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