da insatisfação

mesmo os eternos insatisfeitos, como eu, na maior parte dos dias acabam por se render às rotinas e perder em tarefas banais, que não deixam muito tempo para questionar. a vida de todos os dias corre, enquanto os planos são adiados ad aeternum. no final do dia, geralmente estamos tão cansados, que é mais fácil [e desejável] desligar o botão do pensamento e ligar o do DVD ou abrir um livro. contra mim falo.
um dia, há alguma coisa que nos faz pensar: alguém que nos questiona [és feliz?], um livro ou um excerto que levantam a dúvida, uma conversa em que espreitamos por baixo do véu e percebemos que a vida nos está a passar ao lado. somos, vou percebendo aos poucos, a maioria. o que é assustador: uma maioria que, não sendo infeliz, não se sente realizada; uma maioria que tem lacunas por preencher; uma maioria que não vê saídas, porque provavelmente não tem [não tenho] uma visão mais abrangente da sua vida. 
os últimos dias têm sido particularmente difíceis. perguntas sem fim, uma dificuldade imensa em encontrar respostas, em definir uma meta. e sei, tenho a certeza, que isso é uma coisa boa, porque me fará repensar tudo, eventualmente reconstruir aos poucos, levantar os braços e por mãos à obra. mas falta-me a serenidade que as decisões exigem. e sei que todas elas têm um momento no qual sabemos, sem sombra de dúvida, que é altura de arriscar. o meu ainda não chegou, mas o caminho faz-se tranquilamente, um dia de cada vez.

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