2016

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17 fevereiro 2014

salvar vidas

sempre achei que quando fizesse 18 anos ia a correr dar sangue. fiz 18, 19, 20, 25, 27 e nada. antes da maioridade achava romântica a ideia de poder salvar uma vida com apenas uma colheita, via nesse gesto uma tremenda coragem que, esquecia-me do pormenor, eu não tinha. e não tinha porque sou uma medricas, mas à distância, lá longe, quando fizesse 18 anos, parecia-me o certo a fazer. os meus pais eram dadores e sempre nos incentivaram a ser também.
tinha 28 anos quando dei sangue pela primeira vez, dez anos depois do que tinha previsto. enchi-me de coragem, mas joguei pelo seguro e fui com a minha mãe, que por acaso é enfermeira, a uma colheita no local de trabalho dela, que por acaso era um hospital. se desmaiasse ou me sentisse mal [coisa que já tinha acontecido à minha irmã, a corajosa, que começou a dar sangue com 20 anos], pelo menos não perdia tempo. correu tudo bem, foi tanta a mariquice e a nervoseira quanto a atenção que me deram. achei tudo tão simples, que me envergonhei por nunca ter tido coragem para ir mais cedo.
hoje lá fui de novo. acompanhada, claro, e no mesmo hospital. por mais vezes que o faça, não consigo evitar o coração acelerado, os nervos, aquela esperançazinha secreta de que me digam que os níveis de hemoglobina não são suficientes para poder dar sangue. mas no final, apesar de toda a mariquice, fica a sensação boa de poder ajudar alguém. e não há melhor sensação do que essa.

todas as informações sobre locais e horários para dádivas de sangue aqui e aqui

2 comentários:

Cacau disse...

Tb queria fazer o mesmo, mas sou uma mariquinhas do pior no que toca a tiar sangue! A sério, não estou a exagerar, só de pensar fico com as mãos a suar... para ajudar sou "má de veias" e acontece com frequencia ficar tão nervosa que o sangue não sai...

Enjoy the Ride disse...

não te vou mentir: não fico nada confortável, pernas a tremer, coração acelerado (de resto, eles medem a hemoglobina, e tensão e a frequência cardíaca antes e a médica diz-me sempre que "está muito acelerada"), mas no final a sensação de ajudar é muito compensadora. :)