2016

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10 fevereiro 2015

a galinha da vizinha

é muito comum e humano vivermos insatisfeitos e a desejar ter a vida de outra pessoa. não porque nos sintamos infelizes na nossa própria vida, mas porque o desconhecido é quase sempre muito apetecível. por diversas razões, sobretudo profissionais, tenho-me cruzado com algumas pessoas que têm aparentemente vidas melhores do que a minha. melhores não materialmente, mas porque, algumas com menos idade do que eu, já construíram um legado que se espelha no mundo: viajaram por tantos e tantos países, conheceram outras realidades, fizeram voluntariado e cresceram sabendo que o mundo é tanto para além dos nossos olhos e que as fronteiras atualmente deixaram de ser barreiras visíveis (como a geografia, a língua, a crença ou a cor da pele) para passarem a ser apenas aquilo que nos diferencia dos outros: a forma como escolhemos viver. 
vem isto a propósito deste e de outros programas, em que bebemos as palavras destes jovens que um dia quiseram fazer a diferença e mudar o mundo... e mudam mesmo. pessoas que saíram da sua zona de conforto, que deixaram a família, os amigos e o seu porto seguro para trás para chegar mais longe e ajudar quem precisa. ouço este entusiasmo e penso se fiz as escolhas certas: um percurso convencional, com um curso feito com boas notas, um emprego sem grandes oscilações, o carro e a casa. tudo coisas que me prendem a um determinado lugar e que, provavelmente por ser uma pessoa que não tem arriscado muito [embora pense nisso tantas e tantas vezes], me tornam menos autónoma do que gostaria. depois imagino que essas pessoas, que admiro e que me trazem mundo com as suas histórias de coragem e mochila às costas, também devem ter momentos assim, quando estão longe, com saudades de casa e de um tecto seguro, em que gostariam de assentar e ter a vidinha normal de todos os dias. 
é muito enriquecedor aprender com a experiência de outros, obriga-me a questionar(-me), a revinventar, a reequacionar a importância da rotina e daquilo que entendo por seguro na minha vida. mas, depois de pesar os dois lados da balança, acredito que, à minha escala, também eu tento fazer a diferença em pequenas coisas. 

3 comentários:

martaaconversa disse...

Subscrevo inteiramente.

Ana Burmester Baptista disse...

Here, here, é mesmo assim.

Enjoy the Ride disse...

começo a sentir-me mais acompanhada. :)