2016

2016

01 abril 2015

9

faz hoje 9 anos que assinei o meu primeiro contrato. sim, no dia das mentiras. tinha 22 anos e nunca tinha trabalhado. sete meses antes, comecei a estagiar na empresa que ainda hoje me emprega. cheguei diretamente de uma semana a acampar, ainda vinha com a cabeça no sol e na praia, nervosa e sem saber muito bem o que me esperava. duas semanas depois, o diretor quis falar comigo. pensei de imediato que já tinha feito asneira, mas afinal queria só propor-me prolongar o estágio mais três meses. quando, ao fim de mais algumas semanas, me perguntaram se queria ficar a trabalhar, não pensei duas vezes: tinha deixado apenas uma cadeira por fazer, para poder ir para a Holanda, em Erasmus; a papelada estava tratada, a bolsa atribuída, mas... e se o emprego não esperasse por mim no regresso? aceitei de olhos fechados, fiz a cadeira que me faltava e não pensei mais nisso.
hoje, com tantos estímulos e workshops e sessões de coaching, que nos fazem questionar tudo aquilo que experienciamos e que por vezes pomos em causa na nossa vida, tenho mixed feelings em relação à decisão que tomei naquela altura. é verdade que não tinha a mesma maturidade que tenho hoje e também não me deram muito tempo para pensar. mas pergunto-me (inutilmente, claro) que vida teria hoje se tivesse ido. gosto de imaginar que num mundo paralelo vivo numa cidade holandesa, trabalho naquilo que mais gosto de fazer e tenho uma vida tranquila e organizada. não que não tenha isso aqui. acho é que há dias e pessoas, sobretudo, que me fazem desejar, bastante mais vezes do que gostaria, mudar de vida, fazer uma coisa radicalmente diferente, mas em que me sentisse igualmente (ou mais, se possível) realizada. acho que hoje em dia passamos demasiado tempo a questionar-nos, a questionar o nosso valor e a nossa vida. que é, afinal, grande parte do resultado das nossas escolhas, muito mais do que do acaso. talvez esteja na hora de valorizar mais, viver mais no presente, agradecer mais o que tenho e parar de pensar no que poderia ter sido. porque 9 anos é muito tempo para guardar qualquer arrependimento e não dar o melhor de mim aqui e agora, naquilo que quase todos os dias me realiza.

Sem comentários: