2016

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02 abril 2015

bis

é talvez estranho dizer que este foi um bom concerto, tendo em conta a qualidade do som, que não era de todo a melhor. mas foi. ou melhor, não foi um bom concerto: foi um concerto absolutamente magnífico, porque, além de o público saber de cor todas as músicas, o que ajuda a colmatar o mau som, a banda é enorme e composta por pessoas que se divertem muito a fazer música e a interagir com o seu público. e não há melhor para quem sobe a um palco e para quem assiste. 
esta reportagem, com direito a fotos, resume o essencial daquilo que aconteceu ontem no Meo Arena. mas não conseguirá, ninguém consegue, transmitir o quão especial foi ver novamente os The Script, uma banda irlandesa que acompanho desde o seu início, desta vez num palco que à partida poderia tornar o contacto com o público mais distante, completamente entregue às pessoas e à música. começou logo bem: a banda entrou no pavilhão por uma das portas laterais, passando pelo meio da plateia, distribuindo generosamente sorrisos e simpatia, deixando-se agarrar. à primeira canção, tinham-nos na mão. depois, houve momentos incríveis, como aquele em que o vocalista pediu a alguém da primeira fila que telefonasse à ex-namorada para lhe dedicar uma das minhas canções favoritas, Nothing, cuja letra é sobre o fim de uma relação: a Mariana atendeu, o Danny apresentou-se e pôs um pavilhão inteiro a cantar para ela. se isto não é espetáculo - e do melhor! -, não sei o que será. já o concerto ia para lá de meio, quando os três elementos, novamente passando entre o público, subiram a um mini palco, instalado no centro da plateia, e cantaram aquele que é o seu maior êxito, The Man Who Can't Be Moved. entre silêncios, houve tempo para se emocionarem ao ouvir mais de dez mil pessoas a cantar o refrão para eles. o regresso do vocalista ao palco foi feito pelo balcão, enquanto cantava e se filmava a ele próprio, deixando ainda espaço para as fãs o agarrarem e tirarem algumas selfies pelo caminho. 
é verdade que têm apenas oito anos disto. mas a diferença entre os grandes artistas e os medianos é apenas esta: reconhecer que o seu trabalho é para os fãs e que deve ser com eles que o caminho se faz. há muito tempo que não via um concerto tão bom. arrisco mesmo dizer que foi o melhor que vi até hoje. quanto mais não seja pela emotividade tão particular deste espetáculo.


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