2016

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22 maio 2015

acreditar

as últimas semanas têm sido alucinantes, com muito muito trabalho. há pouco, na minha já habitual introspeção a caminho de casa, pensava com os meus botões que não são raros os dias em que o trabalho me ajuda a manter centrada. se excluir o ruído que os obstáculos provocam, no essencial das minhas funções há muito que me preenche e me mantém a cabeça ocupada. enquanto estou atarefada a marcar entrevistas, a procurar e pesquisar sobre convidados, a querer saber e fazer mais e melhor, a fazer aquilo de que mais gosto, esqueço-me daqueles momentos (cada vez menos frequentes) em que pequenas coisas alteram a minha boa disposição. aprendi a aceitar o cliché de que o tempo cura tudo com a mesma naturalidade com que acredito na velha máxima de que não sabemos o que a vida nos reserva.

hoje, entre uma música e outra, que escolhi propositadamente para um dia de humor mais cinzento do que gostaria, dei comigo emocionada com algumas recordações, que guardei num canto da memória assim que passei o portão da empresa. uma espécie de mecanismo de defesa, que me permite estar concentrada, sem deixar que as emoções afetem o meu trabalho.
ora logo hoje, mais um dia que começou com memórias que estavam guardadas no baú, com a eterna questão de como a vida consegue de facto desencontrar-nos das pessoas e dos momentos certos, e comigo a questionar demasiado e a encontrar tão poucas respostas, logo hoje, dizia eu, o meu caminho cruzou-se com uma das histórias de amor mais bonitas de que me lembro (diferente desta - que ontem me emocionou - no percurso, mas igualmente intensa). duas pessoas felizes, que o destino teimou em juntar, embora uma delas tivesse resistido. duas pessoas com aquele brilho no olhar de quem ama: o que faz, o caminho que percorreu, aquilo em que se tornou e a pessoa que tem ao lado. e é este exemplo, como alguns que vou conhecendo (bem menos do que desejaria), que me faz ter saudades de sentir a paixão arrebatadora que nos faz subir ao céu em segundos e por lá ficar a levitar, como se o resto do mundo não existisse, como se o tempo parasse. se é certo que gosto muito desta paz e desta tranquilidade de estar sozinha, também o é que, tendo já conhecido um grande amor, sinto a falta de tudo aquilo que ele me traz. porque, como ouvi há dias num programa de rádio, são os contrários que nos equilibram e dão alento para viver, para nos superarmos, para querermos ser a melhor versão de nós próprios. 
estes têm sido dias de recordações, nem todas felizes. mas aqueles momentos, com aquelas pessoas absolutamente inspiradoras, trouxeram-me de novo a certeza de que o amor existe, é mágico e pode estar onde menos esperamos.

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