2016

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11 maio 2015

das emoções

não sei se é a idade ou as experiências que acumulamos que nos trazem maturidade. talvez ambas. a verdade é que ultimamente dou por mim a chorar nos filmes, a emocionar-me com spots publicitários (já repararam que a publicidade está cada vez mais emotiva?) ou com o queixo a tremer com programas de animais ou bebés.
não sei o que é, mas desconfio: temos uma tendência inevitável para nos identificarmos com tudo aquilo que vemos, lemos ou ouvimos. quantos de nós não achamos que uma determinada música podia ter sido escrita para nós? ou nos revemos num determinado filme ou numa cena de uma qualquer série? é normal que assim seja. somos nós a projetar-nos e a recordarmos.

por norma, sou muito preconceituosa em relação ao cinema ou à literatura. não perco tempo a ler os John Green's desta vida (cuja fórmula resulta sempre numa escrita apelativa para quem queira apenas desligar e não questionar) nem perdia (achava eu) a ver filmes lamechas que tivessem finais infelizes. 
há dias, a minha box estava programada para gravar um filme português que há muito queria ver, Os Gatos Não Têm Vertigens, mas, por alguma razão, a RTP acabou por transmitir O Sorriso das Estrelas e foi o que ficou gravado. ora, à partida, eu apagaria sem pensar duas vezes um filme baseado num livro de Nicholas Sparks. mas uma amiga, conhecendo a minha fama de sacudida e empedernida (característica gentilmente apontada por ela), desafiou-me a ver, dizendo que não és capaz de não chorar com este filme.
e não fui mesmo. chorei baba e ranho, comprovando que não tenho um cubo de gelo no lugar do coração. e concluí - vou concluindo com todas as coisas que me vão emocionando - que faz parte do nosso processo de crescimento amolecermos e tornarmo-nos mais permeáveis a tudo o que se assemelhe remotamente com alguma coisa que vivemos. 
este filme em concreto tem uma daquelas histórias de amor com que toda a gente sonha: intensa, como tudo aquilo que nos entra pela vida dentro sem aviso; marcante, como só algumas pessoas conseguem; comovente, como tudo aquilo que nos toca a coração; arrebatadora, como só os grandes amores podem ser. e eu já vivi uma história assim. o desfecho não foi, felizmente, o mesmo. mas não foi feliz. e a nossa ideia de felicidade é tão romanceada, que, contra todas as minhas expectativas (e sobretudo preconceitos), este só pode ser um filme que nos abala e não nos deixa indiferentes. 

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