2016

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17 agosto 2015

Um encontro com o destino

domingo à tarde, um balde de pipocas e a sala semi-cheia. para quem viu A Gaiola Dourada, o trailer deste filme já predispõe muito daquilo que ali vem: uma imitação dos clichés sobre os portugueses, naquilo que (não) temos de pior. se não fosse isso, seria uma mais uma comédia romântica, também ela cheia de lugares comuns, mas que entretém numa tarde nublada de fim de semana. o problema é a cópia descarada daquilo que assumidamente dava graça ao filme de Ruben Alves: o patriarca da família chama-se José, novamente interpretado por Joaquim de Oliveira, trabalha nas obras e é um machista de primeira; a mãe, mais branda, a tentar por água na fervura; a família, descarada e disfuncional. aqui, todos estes elementos são adereços, pelo que soa muito mais a crítica social do que a um retrato de uma geração. como se não chegasse, há a portuguesinha devota, com a casa cheia de santos e santinhos, crucifixos, superstições sem nexo (eu, pelo menos, não conhecia a maior parte das que são retratadas no filme) e que não dá um passo sem consultar a sua vidente, deixando que seja ela a guiar-lhe o destino. ora, eu tenho 32 anos, tenho uma família imensa e conheço um mar de gente... e não me lembro de ninguém assim. já para não falar no parto em casa, que pelos vistos é uma tradição portuguesa (que se deve ter perdido lá pelos idos anos 70, mas ninguém envolvido neste filme deu conta). ou do português muitíssimo arranhado, que só com legendas se percebe.
enfim, não vale o dinheiro do bilhete. nem meio bilhete. talvez visto em casa, numa tarde chuvosa, quando não houver melhor programa. agora assim, vão por mim, deixem-se estar, que há cinema muito melhor para ver.

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2 comentários:

Joana disse...

Uma pessoa até fica com medo!

Enjoy the Ride disse...

não é caso para tanto, Joana. ;)