2016

2016

27 outubro 2015

que país é este?

Metade das famílias portuguesas vive com menos de mil euros por mês.

quando leio notícias como esta, sinto como que um murro no estômago. nos meios em que me movo, não tenho, felizmente, (muito) contacto com esta realidade. mas fico a pensar se não haverá todos os dias pessoas com quem me cruzo e que vivem nestas condições ou piores e nem sequer sonho.
mil euros por mês não é muito. vivo com pouco mais do que isso e sei o que me custa, sozinha, gerir o orçamento lá de casa: a prestação, as contas, o carro e a gasolina, o gato, a alimentação. no final, obrigações em dia, não sobra muito. mas é o suficiente para conseguir poupar, ainda que bem menos do que gostaria (ou deveria) e ter os meus pequenos luxos de vez em quando. 
mil euros por mês não é muito para quem vive sozinho. mas, feitas as contas por alto, é claramente insuficiente para uma família, mesmo que apenas com um filho menor. às contas, acrescem todas as despesas que uma criança dá e, mesmo que não se viva com grandes luxos (quem o poderia fazer com esse valor?), é normal que os pais queiram o melhor para os seus filhos. assumindo que não há qualquer outra fonte de rendimento familiar, pergunto que país é este, assoberbado de impostos e que engana os seus, quando lhes fala de saúde pública ou ensino gratuito para todos; que país é este que, mesmo envelhecido, não promove nem incentiva a natalidade senão com argumentos tão falaciosos quanto o aumento das licenças de maternidade ou a redução das horas de trabalho, quando todos sabemos o quão enganador isso pode ser; que país é este, que permite que as rendas das casas sejam astronómicas (ou, quando não o são, as casas não têm o mínimo de condições de habitabilidade), não deixando muita margem na economia familiar para uma vida digna e para que se possa proporcionar às crianças um futuro decente?
cada vez mais acredito que estamos entregues a nós próprios, enquanto sociedade civil, e que devemos, na medida das nossas possibilidades (e vontade) olhar uns pelos outros. o Estado há muito que deixou de cumprir o seu papel de cuidador, resta-nos fazer e reaprender o que nunca deveríamos ter deixado de ser: humanos.

Sem comentários: