2016

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14 janeiro 2016

beber ou não beber, eis a questão

desde que me lembro de existir, que não há dia que passe sem que eu beba leite. como vivíamos perto de uma quinta, era comum lá em casa, contam os meus pais, haver leite fresco, que o meu Pai ia buscar, acabado de sair da vaca (fresco, mas ainda morno). não tenho qualquer recordação disso, mas sempre me lembro de adorar leite, fosse simples ou com chocolate (Suchard Express era o eleito, jamais essa heresia de leite achocolatado já embalado). não gosto de leite com açúcar e só muito de vez em quando me permito beber um cappuccino, porque café e leite também é uma mistura que não me enche as medidas.
feita esta introdução, é fácil perceber que adoro leite. e os seus derivados. raro é o dia em que não como queijo e iogurtes também não faltam no meu frigorífico.
vem isto a propósito de um artigo que saiu ontem no DN: Intolerância ao leite é moda, diz a Profª. Isabel do Carmo. 


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o tema é polémico e dá pano para mangas, ficando nós, consumidores, muitas vezes reticentes em relação àquilo que lemos ou ouvimos dos especialistas; eles próprios não se entendem. é a primeira vez que leio alguma argumentação científica verosímil sobre isto. geralmente, as opiniões não são fundamentadas e às vezes parece mesmo que existe algum interesse comercial por trás, embora eu não acredite muito em teorias da conspiração (mas que as há...).
como tendo a achar que no equilíbrio é que está o ganho, e não sou nada radical em relação à alimentação, experimento várias coisas, até encontrar aquelas que me satisfazem mais. já experimentei leite de soja, de aveia e de arroz. nenhum deles é verdadeiramente leite e todos têm um sabor característico. não gostei de nenhum. é verdade que me sentia enfartada quando bebia leite de vaca, o que passou assim que optei por este leite, com redução de lactose (sempre meio gordo). uso-o para tudo: da culinária ao leite morno para as constipações, é o meu melhor aliado de manhã, especialmente nas papas de aveia, o meu pequeno almoço favorito, seja inverno, seja verão.
tenho a sensação, por várias histórias que tenho ouvido, que muitas vezes os nutricionistas induzem aos pacientes intolerâncias que eles não têm ou para as quais, pelo menos, não é banindo os alimentos ou seus componentes que o problema se resolve. resultado: o nosso corpo desabitua-se de uma série de coisas (seja lactose, glúten, etc.) e, quando não temos alternativa e temos mesmo de comer, não sabe como digeri-los. mais uma vez, não duvido de que haja quem desenvolva ou nasça com intolerâncias a alguns alimentos, mas não certamente a todos e ao mesmo tempo. nem há qualquer dúvida sobre a forma como a maioria das pessoas se alimenta mal, seja por não ter tempo, por não gostar de cozinhar ou por achar que comer de forma saudável é mais dispendioso ou trabalhoso. mais uma vez, é importante ter consciência daquilo de que o nosso corpo precisa ou tolera, e, em caso de dúvida, consultar um nutricionista certificado, fazer testes (alimentares ou simplesmente ir mudando a alimentação até perceber o que faz mal) e, sobretudo, não ser radical. acredito que, na generalidade, nós é que andamos a criar as nossas intolerâncias, sem percebermos que nos limitamos e privamos o nosso corpo de muito daquilo que nos é essencial.

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