2016

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12 janeiro 2016

da saúde em Portugal

acabei de ler este texto e nem sei o que pensar. a minha Mãe trabalhou durante muitos anos na área da saúde, é enfermeira. ainda que o fosse no privado (ou talvez por isso), habituei-me a ouvir histórias que me escandalizavam, por não perceber (ainda hoje não percebo) como é que a vida ou o bem estar dos pacientes não eram o mais importante, acima de horários, questões salariais ou zangas entre classes. 
de todas as vezes que recorri a um hospital, fui sempre bem atendida e tratada com uma atenção especial, não tenho dúvidas disso. não sei o que são horas de espera numa urgência nem meses à espera de uma consulta ou de um exame. mas sei também que este tratamento se deve ao facto de a minha Mãe ser enfermeira e eu (felizmente) poder recorrer ao hospital onde ela trabalhou (todos nós fazemos o mesmo, quando temos possibilidade). 


a degradação da saúde em Portugal é uma consequência da forma como temos sido (des)governados ao longo de décadas: no setor público, pela desvalorização crescente do papel de médicos, enfermeiros e auxiliares; no setor privado, pelo incremento do lucro a qualquer custo. em qualquer dos casos, por dinheiro. um médico, enfermeiro ou auxiliar não é um escravo. um paciente não é um cheque ou um cartão de crédito. 
a desumanidade e a falta de consideração pelas pessoas - pessoas enquanto seres humanos - é cada vez mais comum e banalizada. se retiramos condições aos profissionais e eles não se queixam, por que não testá-los mais? tirar-lhes mais? fazê-los trabalhar mais por menos? 
ainda há quem não perceba que as mudanças se fazem com as pessoas, não contra elas. e que todos precisamos de todos. hoje sou eu, amanhã podes ser tu, fechado no teu gabinete com folhas de excel cheias de números, a estudar cortes e mais cortes, naquele que é um direito básico de qualquer pessoa: a saúde. ou tu ou alguém de quem gostes. não sei para onde caminhamos, mas este texto, e outros que tenho lido até de amigos que trabalham na área, é uma espécie de murro no estômago, exemplificativo do tanto que recuámos enquanto país ao longo dos anos. entristece-me, envergonha-me e faz-me sentir zangada com este país que nos abandona e deixa completamente desprotegidos e sem alternativas naquilo que é o mais básico à sobrevivência.

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