2016

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20 março 2016

David Fonseca

o dia tinha começado cedo demais, com chuva e trânsito. uma manhã turbulenta, que se transformou numa tarde caótica e que me fez desejar passar para o dia seguinte, ainda antes de aquele chegar ao fim. o que eu ainda não sabia, parada no trânsito e a maldizer a chuva, a praguejar com o mundo (sempre alvo de culpas alheias), era que naquela noite me ia emocionar uma, outra e ainda outra vez. porque a música - sobretudo ao vivo e com a entrega de quem a faz com paixão - tem o poder de nos levar a tantos lugares, de nos devolver tantas memórias ou de nos fazer descobrir novos rumos. retenho uma das ideias mais simples daquela noite, pela voz do David Fonseca (e que ele não sabe, mas que me serviu de aconchego): o melhor não é o que passou ou o que está por vir, mas sim o privilégio de viver o presente, retirando dele não o que gostaríamos que fosse, mas sabendo reconhecer o melhor que ele nos dá. e, apesar de não ter nenhuma foto ou vídeo que o comprove (tenho esta mania muito pouco moderna de viver os momentos sem uma câmara!), a mim, naquele dia tão emotivo, deu tanto.

a música que gostaria de partilhar aqui não tem vídeo oficial. por isso, deixo a letra: Só Uma Canção no Mundo. ouçam o disco de uma ponta à outra, chama-se Futuro Eu, é todo cantado em português e é absolutamente maravilhoso. sobretudo se estivermos atentos às palavras.

olha bem, lembra quando e quem
éramos dois, mas fomos tantos
sempre a arrancar da vida o espanto
depois de o sol se por,
fugias do primeiro andar
faróis em estradas invisíveis, 
ainda tão novos e impossíveis
todo o nada feito em escada
fomos alto e sempre a mil
na vertigem desse estranho mundo teu
mas na queda tudo quebra
tudo vai pra longe daqui
a vida leva quase tudo
fica só uma canção no mundo
e é pra ti
e a vida leva quase tudo
fica só uma canção no mundo 

olha bem, lembro quando e quem
do teu silêncio já cansado
barco à deriva noutro lado
fomos vilões tornados santos
fomos tantos, mas fui feliz
na vertigem desse estranho mundo teu
mas na queda tudo quebra 
tudo vai pra longe daqui
a vida leva quase tudo
fica só uma canção no mundo 
e é pra ti

e onde quer que vás, há sempre alguém
que liga o rádio nesta canção e dança
dança tu também
nada sobra no mundo extinto
fica só com a canção que diz
adeus, que sejas feliz
e a vida leva quase tudo
fica só uma canção no mundo
e é pra ti
e a vida leva quase tudo
fica só uma canção no mundo
e é pra ti
e é pra ti

2 comentários:

Diana Ribeiro disse...

O concerto na Guarda, no passado fim de semana, foi muito bom. A par da plateia cheia e da qualidade da música, a forma como o David se entrega no concerto e o sentido de humor que demonstra, ajudaram a transformar a noite de sábado numa agradável noite. Depois e como parece que nada surge ao acaso e encontrando-me eu numa fase em que, indubitavelmente, tenho olhado excessivamente para o futuro as letras, como bem referes, fazem-nos "pôr os pés na terra" e perceber o quão importante é (ou deveria ser) saborear e sentir o aqui e agora! Gostava do David e das suas músicas, mas com o novo disco, tornei-me fã.

Enjoy the Ride disse...

E vão duas, Diana. :)