2016

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20 abril 2016

sliding doors

há dias, a propósito de uma imagem que me passou pela cabeça, lembrei-me do filme Sliding Doors, com a Gwyneth Paltrow, que me deu uma ideia para um post. nessa noite, no Grant's Stand Together, o Pedro Ribeiro havia de referir o mesmo filme, a propósito da história que ia contar. estranha esta coisa cósmica de nos fazer recorrer às mesmas referências, quase ao mesmo tempo.
mas, dizia eu, lembrei-me desse filme quando, num instante banal, em casa, enquanto caminhava do quarto para a cozinha, me imaginei num mundo paralelo. eu era duas: uma aqui, neste mundo e na minha realidade; e a outra ali, mesmo ao lado, tão perto que quase (me) podia sentir, numa linha de vida intangível, em que eu era tudo o que não sou. ou não consegui ser. ou a vida não permitiu que fosse.


aqui, estava eu de pijama, num sábado de manhã, o rádio sintonizado no Hotel Babilónia, enquanto pensava na forma de organizar o meu dia, que a noite já estava prometida para os amigos. 
ali, era eu pela casa, a ouvir uma voz que vinha da sala, os dois de pijama, os dois com a preguiça própria de um fim de semana sem tempo e com o mundo inteiro para abraçar, cheio de sorrisos e da novidade de sermos um só, depois de tudo.
fiquei a pensar nisto. não propriamente no acaso, de que falou o Pedro e a sua história - que define quem vive ou quem morre -, mas das escolhas que fazemos ou que nos obrigam a aceitar. fiquei a pensar que esta não é a vida que eu escolhi, mas a que me foi sendo imposta por tantas razões que não caberiam aqui. e que eu própria, para ser honesta, por vezes não entendo. fiquei a remoer nesta coisa absolutamente aleatória que é o estar aqui e agora, nestas circunstâncias, sem ter a certeza de que foi porque a minha vontade assim o ditou. diriam os mais crentes que é assim porque já estava escrito. acredito eu que é assim porque eu quero - ou, neste caso, porque alguém quis e eu nada pude fazer para alterar esta realidade.
logo a seguir, invade-me aquela ideia, muito mais empática mas nem sempre fácil de aceitar, de que somos não o que nos acontece, mas aquilo que decidimos fazer com isso. que as ações não nos definem, mas antes a forma como reagimos a elas e as aceitamos.
como no momento em que perdemos o metro e vemos a porta a fechar-se no exato segundo em que íamos entrar. parte de nós seguiu viagem e já não está ali. a outra parte ficou e lida com esse pequeno atraso - decisivo, quem sabe? - da melhor forma que sabe, com o humor com que acordou nesse dia, com os (des)encontros que se adivinham, com as incertezas do que está por vir. 
arrepiei-me ao ouvir o Pedro, naquele instante em que ele, entre milhões de filmes que existem, falou precisamente daquele, de 1998, de que me lembrei no mesmo dia. mas, estranhamente, isso foi um conforto. e eu, que acredito em sinais, estou desde essa noite a tentar encontrar os meus. 

2 comentários:

Dulce disse...

Há quem defenda que tudo o que acontece no universo já está pré determinado ( determinismo) e que embora acreditemos no livre arbítrio na verdade todos os acontecimentos nas nossas vidas são consequências pré determinadas desde o início do universo.
Teorias... eu acho que estamos sempre a decidir, o dia inteiro, nas mais pequenas coisas e que essas decisões por mais insignificantes que nos possam parecer podem ter o efeito borboleta mais tarde, na nossa vida ou na vida de alguém ... estamos todos ligados; agora se o nosso destino já está pré determinado ou não não sei ... só sei que nada sei :p

Enjoy the Ride disse...

eu diria que o melhor é não saber mesmo nada. e, mesmo que seja uma ilusão, vivermos achando que somos nós quem traça o nosso destino.