2016

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14 abril 2016

Stomp

a minha fama precede-me e é raro o dia em que não sou gozada por ter uma péssima memória. no trabalho, sou muito organizada e dificilmente me escapa algum pormenor, mas na vida acontece-me frequentemente lembrar-me de coisas sem a mínima importância e esquecer-me de aniversários ou outras coisas importantes. é ótimo, por exemplo, não me lembrar do final dos filmes, assim posso vê-los vezes sem conta e ser surpreendida; com os livros é menos agradável, porque não os releio e, se quiser recomendar alguma coisa que li, da maioria tenho apenas uma ideia muito difusa da história. mas o que me acontece amiúde é ouvir uma música ou um disco que alguém me mostra e, meia dúzia de dias depois, eu estar a (re)descobri-la e a mostrá-la às mesmas pessoas como se fosse uma novidade. a minha irmã enlouquece com isso. 

andei imenso tempo a dizer que queria muito ir a um espetáculo dos Stomp, porque nunca os tinha visto e achava que ia adorar. aconteceu esta semana: sentei-me no CCB, mesmo de frente para o palco, e aquele cenário não me pareceu totalmente desconhecido. devo ter visto fotografias na imprensa, pensei. assim que o primeiro elemento entrou em palco, com a sua vassoura pela mão, fez-se luz: eu já tinha visto os Stomp! não sei quando nem onde, mas vi. mas, com esta memória tão boa (!), foi como se fosse a primeira vez. e foi magnífico: são oito elementos, seis homens e duas meninas, que enchem o palco de música, dança e humor apenas com materiais domésticos, que, à partida, não teriam outra utilidade senão aquela a que se destinam: lava louças, vassouras, caixas de fósforos, panelas, até carrinhos de supermercado, entre tantos outros. o sentido de ritmo é absolutamente admirável e as coreografias, com oito pessoas em sintonia completa, é estonteante. maravilhoso foi o encore, com a participação do público, que esteve à altura do desafio.
é, além de tudo, um espetáculo para todas as idades: vi famílias inteiras com crianças (algumas das quais com reações muito engraçadas a que os próprios Stomp também reagiam em palco), pessoas mais velhas, enfim, reuniu públicos que aparentemente não se cruzariam noutro tipo de espetáculo. 
depois da Figueira da Foz e do Porto, os Stomp estão em cena no CCB até ao próximo domingo. cada euro investido vale pelas duas horas em que estão em palco. se puderem, não deixem escapar.

[mais sobre os Stomp nesta entrevista]

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