2016

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26 setembro 2016

para melhor, muda-se sempre

há três meses, aconteceu uma grande mudança na minha vida profissional: durante oito longos anos, uma parte do meu trabalho, provavelmente a maior, não constituía nenhuma novidade ou dificuldade e era, em grande medida, automática e sem nenhum desafio intelectual. apesar de ter interesses muito abrangentes, ou talvez por isso, gosto de tarefas que me desafiem, que me obriguem a pesquisar, a aprender, a pensar, a acrescentar valor aos meus (parcos) conhecimentos. 


durante oito anos, trabalhei com pessoas em quem não confiava e que não respeitava, nem profissional nem pessoalmente. deixei que uma delas me afetasse demasiadas vezes a um ponto que não conseguia controlar, tornando-me em vários momentos uma pessoa amargurada e revoltada. suportei faltas de respeito, mau caráter, mentiras, falta de profissionalismo e incompetência. encobri, bastante mais do que devia, erros e falhas, porque, no final, o meu brio profissional e o meu nome também estavam em jogo. nunca, em momento algum, ouvi um elogio ou um simples obrigada. fiquei limitada nos meus horários, perdi uma série de saídas e encontros, saí do trabalho de rastos vezes sem conta. deixei de ser dona do meu tempo e dos meus dias. dormi mal algumas noites - logo eu, que não tenho problemas de sono. e perdi horas de vida a analisar, a questionar, a desejar que um dia fosse diferente.
há três meses foi. e agora todos os dias são. mesmo aqueles que não são perfeitos, em que não faço só aquilo de que mais gosto ou em que tenho pequenos problemas para resolver, tudo - mas mesmo tudo - é melhor do que o que vivi antes. costumo dizer que não é o trabalho que me cansa, mas as pessoas. uma em particular.
olhando para trás, já com algum distanciamento, percebo que não era apenas a falta de estímulo intelectual ou os pequenos obstáculos que me causticavam. é difícil de explicar - e até ridículo de tentar perceber - o ascendente que alguém com tão má energia e tanta falta de caráter pode ter sobre tantas pessoas e durante tanto tempo. 
acredito que a vida se encarrega de nos retribuir aquilo que semeamos. e acredito, acima de tudo, que o nosso caminho é feito, em grande parte, das pessoas e dos comportamentos que temos para com elas: quem espalha o bem, quem faz o melhor pelos outros, fá-lo também para si, porque o universo conspira a seu favor. o contrário também é verdade. interessa-me pouco os caminhos dos outros, sobretudo quando já não tenho de me cruzar com eles, mas tenho a certeza de que tudo o que o futuro nos reserva reflete muito do que fizemos no passado. para o bem e para o mal.
os meus últimos três meses têm sido um mundo de funções novas, de lugares novos, de pessoas diferentes e de tantas áreas distintas. tem sido uma descoberta permanente e que tanto gosto me tem dado. de inseguranças também, por pisar terreno desconhecido. de aprendizagem. mas do reconhecimento de quem me importa. este é o meu caminho e há momentos - ainda que breves - em que me orgulho dele. pelo que passei, mas acima de tudo por todos os ensinamentos que pude retirar daí para potenciar a minha experiência profissional e pessoal. porque sempre que sonhamos, o mundo pula e avança. e o meu, livre do que me fez mal, cresce todos os dias um pouco mais.

2 comentários:

Escrever Fotografar Sonhar disse...

"EnjoY the Ride!" Felicidades no novo caminho. é tão bom ver que a mudança vem com coisas boas a quem tem a força para mudar. bjs

Enjoy the Ride disse...

obrigada. :) em frente é que é o caminho!