2016

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10 outubro 2016

definitivamente abraçar o presente

que o português é avesso à mudança, já sabíamos. que há neste país alguns monopólios instituídos, também. e que a inveja infelizmente faz parte destas mentes pequeninas e atarracadas, é o pão nosso de cada dia. é por isso que nada do que se está a passar hoje, na Rotunda do Relógio, em Lisboa, é surpreendente. é mais fácil (e boçal) impor os argumentos pela força e pela brutalidade do que olhar para a própria classe e perceber o que está errado e de que forma se pode melhorar para tornar o serviço concorrencial. só que isso dá trabalho. e trabalho, já se sabe, é uma coisa que maça. por isso vamos continuar a viver no tempo das cavernas.

não sou cliente assídua dos táxis e só muito ocasionalmente, quando não me posso deslocar de carro ou transportes públicos até um local (quando vou carregada para o aeroporto, por exemplo) é que cedo a esse pequeno luxo. nunca andei de Uber nem de Cabify. mas tudo aquilo que me facilite a vida através de uma app, ainda por cima com uma oferta verdadeiramente melhor (segundo o que ouço), com mais eficácia, higiene, educação e segurança, tem, à partida, a minha atenção. e como os pseudo-argumentos dos taxistas já cansam (e não mudam, como eles), ler um texto destes é um bálsamo no meio de tanta arrogância, sobranceria e ignorância.

As leis devem servir e proteger as pessoas, e enquadrar os serviços que satisfazem as suas necessidades. A tecnologia permite oferecer segurança e transparência ao consumidor através de novos meios, que as regras antigas não previam. Com plataformas como a Uber, é possível saber de antemão quem nos vai transportar e em que carro – então, porque é que precisamos que estes carros tenham uma cor específica e uma lanterna no tejadilho?

Rui Bento in Público, 10 de outubro de 2016

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