2016

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25 outubro 2016

engano

"Bem, estas coisas têm altos e baixos... afastamento e ternura, ternura incrível seguida de incrível inacessibilidade, é assim que as coisas se passam entre pessoas que estão juntas há tanto tempo como nós. Aquilo em que eu penso em relação a ela é diferente. É o amor que existe porque é fragmentado. O momento roubado que não pode ser prolongado."

Engano, Philip Roth

foi o meu primeiro Philip Roth e, não querendo jurar, talvez o último. a escrita é incrivelmente acessível - acho que foi isso que me surpreendeu positivamente -, mas a sinopse é enganadora. ou posso ter sido eu que não percebi nada de nada. achei os capítulos confusos, demorei a recentrar-me em cada um e, espremido, não me acrescentou grande coisa. tenho a mania de dobrar as pontas das páginas onde há algum parágrafo ou frase que me diga alguma coisa e este livro tem apenas uma página dobrada, a da citação acima. 
julgo que esperava mais densidade, confronto, conflito. mais análise. mais pessoas, naquilo que elas têm de mais banal e, portanto, mais próximo de nós, comuns mortais. mais sentimento. não sei bem explicar. sei apenas que não me abalroou, não me comoveu, não me disse nada. por muito bom que seja, por muito reconhecido que seja pela crítica (e foi) e por quem verdadeiramente percebe de literatura (não é o meu caso), um livro que me deixa indiferente não me faz ter vontade de procurar mais ou ler outros títulos do autor. está lido, está arrumado. não temos todos de gostar do amarelo, pois não?

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